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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sapecando?

O novo comercial da H2OH! está dando o que falar. Mas dando o que falar porque ninguém entendeu o que eles estão querendo comunicar. Para tentar usar uma linguagem que pudesse aproximar o público da marca, a PepsiCo acabou causando um desencontro.




No comercial, a mulher diz ao marido que está "sapecando" aquela amiga de trabalho que ele vive paquerando. A questão é: o que é sapecar?

Para muitas pessoas, sapecar é "fazer algo nas coxas", "malemá", às pressas. Para outras, sapecar é dar uns tabefes. Mas o que eles quiseram dizer é que a esposa, igual ao marido, equivale-se dos mesmos direitos (como traição, por exemplo), e "está pegando" a "mina" que o cara tanto gostaria. Abordagem da liberdade sexual pra traduzir ousadia e personalidade, características da marca.

O Facebook da H2OH! expõe bem essa situação estranha que se formou, muitos consumidores estão questionando a nova campanha, alegando que não entenderam o que é "sapecar".
Clique aqui para ver como a H2OH! explica.

Foto: Vai ver você até já SAPECOU e não sabia. Saiba mais sobre essa nova tendência do Verão aqui! #tosapecando #chegouLimoneto

E aí o diretor de marketing da PepsiCo, Tiago Pinto, também se apressou a esclarecer:

 “Nos últimos tempos o público tem se habituado a ver retratados em filmes, novelas e nas redes sociais novas situações e contextos sociais que ele já presenciava em seu dia a dia. Nesta nova campanha, sentimos que H2OH! também precisava acompanhar esse movimento e por isso, optamos por trazer para o filme uma cena que traduz a ousadia, a autenticidade e modernidade da marca, características que já são reconhecidas pelo consumidor de H2OH!(...) Prova da necessidade dessa mudança, é que em recente pesquisa realizada pelo Data Folha em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, 56% das mulheres entrevistadas relataram que as peças publicitárias não mostram a mulher da vida real" 

Mas as manifestações são muito bem fundamentadas!


Então eu nao sou mulher da vida real, pq p/ estar em pé de igualdade com meu marido, nao preciso trai-lo 

nem virar lesbica...





Se tem que explicar é porque não tem graça nenhuma, troféu comercial besta 2014

Sapecou? Que palavra mais ridicula pra uma propaganda.





Tem um monte de gente falando que não entendeu o comercial. Cara, todo mundo entendeu. Sério. Só não 

estão querendo acreditar no quão ridículo foi.




A ideia foi exatamente essa que todo mundo entendeu de primeira, mas é tão sem noção e escroto que 

as pessoas pensam: "não é possível que seja isso, deve ter sido uma piada elaborada demais pra eu 

entender." Não, não foi. Foi estranho.

A mulher é lésbica? Ok, nada contra. 


A mulher casada com o cara é lésbica? Cada um com os seus problemas.


A mulher é lésbica, conta isso pro marido dizendo que está pegando outra, quem está pegando, que é uma 

mulher que ela sabe que o cara ta afim (o cara q é casado com ela e admite naturalmente). Que porra é essa?


O VT aproveita também o gancho de outro comercial lançado recentemente, da Fibz, Brasil Kirin, que tira o foco de um assunto através do refrigerante no conceito "zero culpa, máximo de sabor". 




No da H2OH!, o "grand finale" garante um sonoro "Delícia". Pulo do gato: ela refere-se à boa e à má notícia usando uma só expressão.

E você, curtiu o novo comercial da H2OH! ou achou de gosto duvidoso? comente aqui no blog, queremos saber sua opinião.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Geração Y e a busca constante de satisfação

Quem nasceu nas décadas de 50 e 60 é parte de uma geração chamada BABY BOOMERS. Profissionais que cresceram buscando estabilidade econômica em carreiras seguras e estáveis através de décadas de trabalho duro e muita dedicação, quando vida profissional e pessoal se encontravam às 12:00 e às 18:00, na transição do momento trabalho para o momento família.

Nos anos 70, 80 e 90 o mundo todo prosperou junto num crescimento econômico e tecnológico sem precedentes e, com novas expectativas de futuro melhor, os filhos dos Baby Boomers cresceram formando uma nova geração, que acreditava que podia ser o que quisesse, chegar onde quisesse. Mal sabiam os pais que estavam criando identidades de protagonistas especiais nos subconscientes de seus filhos geração Y, que pensaram que podiam - e tinham obrigação- de fazer melhor que seus pais, de prosperarem mais, de enriquecerem mais, de serem mais felizes. Só estabilidade e segurança não bastam, é preciso viver o próprio sonho.


Cal Newport, escritor e professor de ciências da computação na Universidade de Georgetown aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Ou seja, para nós, não basta só a prosperidade econômica que nossos pais buscavam, mas também a realização profissional na carreira escolhida. E essa ideia permeia os pensamentos da geração Y desde que seus pais baby boomers começaram a cria-los para serem prodigiosamente magníficos, diferenciados, profissionais de destaque. Acontece que isso não foi transmitido a 1 ou 2 indivíduos, mas a uma geração inteira que hoje sofre por perder a ilusão de estar predestinado a algo sempre melhor por ser especial.
O mercado de trabalho é outra ilusão real. Uma grande carreira já não se faz só com anos de trabalho árduo, e muito menos é um destino natural e óbvio para qualquer pessoa excepcional da geração Y. Normalmente as expectativas antes de começar a carreira são enormes, mas o mundo não é um lugar fácil, e anos de sangue, suor e lágrimas fazem cair por terra a ilusão construída de que é possível você vencer na vida, basta ser o melhor e encontrar realização no trabalho.
Paul Harvey, professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, concluiu em uma pesquisa que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.
Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Pessoas que são levadas a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que são de alguma maneira especiais.
Como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, a geração Y se encontra nessa situação: a extrema ambição, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.
E para concluir o pensamento, as redes sociais criam um mundo opressivo para aqueles que esperavam mais, afinal de contas, é ali que tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível, onde a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e as pessoas que expõe mais suas vidas são as pessoas que estão indo melhor nas carreiras ou relacionamentos, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. 
Por esses motivos todos a geração Y está frustrada e insatisfeita. Pode até ser que a vida e a carreira estejam indo bem, mas nunca alinhados com a expectativa.
Esse é um estudo demográfico realizado pela Unicamp, mas o assunto está sendo tão comentado que é só jogar no Google para encontrar um monte de materiais sobre o assunto. Esse vídeo retrata bem os pensamentos dos baby boomers e a evolução, geração a geração. 

 fica então a pergunta que pode fazer você mudar sua forma de ver sua vida é: Você está buscando ou fazendo aquilo que te deixa realmente feliz?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Netflix dá show!

Pra quem não sabe, o Netflix é uma serviço de aluguel online de filmes, séries e documentários em que o usuário paga uma mensalidade e pode escolher o que quiser assistir. Não tem muitos lançamentos ainda, mas em compensação a programação oferece uma vasta gama de opções, tem até programa de web TV. Pra se ter uma ideia do sucesso dessa fórmula, hoje o Netflix tem mais assinantes que vários canais por assinatura, como HBO e Telecine.
Ok. Incrível. Mas o melhor ainda está por vir: a Netflix trabalha com atendimento personalizado, exclusivo, para gerar mais interação e trazer fidelidade. Veja que bacana o diálogo de um atendente com um cliente, mostrando muito engajamento e criatividade. Excelente maneira de otimizar o canal de comunicação com o cliente para estreitar o relacionamento e fugir da mesmice dos atendimentos padronizados e robotizados.
Ps: o texto original estava em inglês e foi traduzido pelo Complexo Geek.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um comercial de cerveja pra ninguém botar defeito

Comerciais de cerveja costumam ir de mulheres seminuas a rodas de amigos, de rodas de amigos a mulheres seminuas, mas essa aqui é bem diferente, tocante até.
A irlandesa Guiness lançou um vídeo original, que mostra um jogo de basquete entre amigos, determinados, competitivos e ruidosos. Mas o time que surge na tela não é o que parece - e a lição principal, sobre amizade, traz um final surpreendente. 

Absolutamente TUDO a ver com o novo slogan mundial da marca, "MADE OF MORE". A campanha é assinada pela BBDO NY e ja teve mais de 7 milhões de visualizações.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os criativos que não enxergavam as mulheres

Essa semana eu li um artigo no site Outras Palavras, na área Outras Mídias, que dizia que, por ser criada por homens ricos, a publicidade brasileira não enxerga como a auto-estima da mulher está mudando, e por isso, a identificação do público está cada vez menor.

Vou reproduzir o texto na íntegra. Ao contrários dos brand kits, esse texto é longo, mas tenho certeza que vai fazer a diferença no modo que você enxerga a publicidade hoje.

Por Luciana Araújo, da Agência Patrícia Galvão
Realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão, a pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV revela a existência de um conflito entre o que os espectadores veem e o que gostariam de ver nas publicidades exibidas na televisão. Para 56% dos entrevistados, homens e mulheres, as propagandas na TV não mostram as brasileiras reais. Para a pesquisa, foram realizadas 1.501 entrevistas com homens e mulheres maiores de 18 anos, em 100 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 10 e 18 de maio deste ano.
Na avaliação do diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, o distanciamento entre a representação da mulher feita nos comerciais e a realidade prejudica os anunciantes, que perdem o principal mercado de consumo. “A mulher quer uma comunicação que a inspire a melhorar um pouco mais de vida, mas não a deixar de ser quem ela é. E quando as empresas vendem um aspiracional que está longe de ser desejado e possível para essa mulher, ou ela se frustra ou simplesmente conclui que esse produto não é para ela e cria uma barreira em relação a ele”, considera.Confira abaixo a entrevista na íntegra:
As mulheres são responsáveis por 85% das decisões sobre o consumo doméstico e representam uma massa de renda de R$ 1,1 trilhão. Por que, na sua avaliação, a opinião dessa parcela tão significativa do mercado é de certa forma ignorada pela publicidade na TV e pelos anunciantes em geral?
Renato Meirelles - Quando falamos de uma mulher que movimenta R$ 1,1 trilhão por ano e determina 85% do consumo da família não estamos falando de um nicho consumidor, mas do principal mercado consumidor brasileiro. E se a propaganda não fala com essa mulher, está dando um tiro no pé. Hoje o mercado publicitário não sabe como falar com um mercado de R$ 1,1 trilhão.
O Data Popular sempre estudou muito a classe C e descobrimos que, nos últimos anos, quem mudou o Brasil não foi a classe C, foi a mulher. A mulher que, nos últimos 20 anos, enquanto percentual da população, cresceu 36% e aumentou sua participação no mercado de trabalho em 162%. É como se todo o Estado do Rio Grande do Sul entrasse no mercado da mão-de-obra de trabalho feminino.
Com mais dinheiro, essa mulher passou a decidir ainda mais sobre o consumo da casa e a chefiar um número maior de lares. Hoje, 38% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Mas esse processo de empoderamento feminino pela via do consumo e da renda é ainda recente e equivale ao papel dos homens há dez anos atrás.
Mas não temos nenhuma ilusão de que isso acabou com as desigualdades de gênero e preconceitos em geral, e muito menos entre os publicitários e anunciantes. Assim, vemos um conjunto de produtos e serviços que muitas vezes são consumidos pelo homem, mas é a mulher quem compra; só que as empresas olham para o homem, e não para a mulher que decide a compra.
Estamos falando de uma miopia das agências de publicidade, que têm entre os seus criativos, em boa parte, homens que dialogam com o universo masculino e ainda acreditam que a aspiração dessa nova mulher é ser como as europeias: altas, brancas, cabelos lisos. Não entendem que, junto com a renda, aumentou também a autoestima dessas mulheres, e elas querem se ver representadas nos meios de comunicação.
Nesse sentido, a pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV, realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão, revela exatamente o contrário, que a mulher brasileira não se vê na publicidade televisiva. Na sua opinião, que outros elementos, além do mundo masculino da criação publicitária e do crescimento ainda recente do papel da mulher brasileira no mercado consumidor, explicam esse distanciamento entre as propagandas e as mulheres brasileiras, que é percebido inclusive pelos homens?
A mulher brasileira está envelhecendo, é majoritariamente negra e tem muito mais curvas que a média das mulheres do mundo. Mas as agências de publicidade trabalham com um ideal de beleza do passado, de mulheres altas, magras, loiras e de olhos claros. Esse padrão de beleza, que durante anos foi o aspiracional de parte considerável dos brasileiros, fazia sentido na propaganda de 20 anos atrás, sob a lógica publicitária. Só que, com a melhora do nível de vida de milhões de brasileiras nos últimos anos, elas querem se ver efetivamente representadas.
Mas as agências não trabalham com essa nova realidade, que tem como lógica o aspiracional possível. A mulher quer uma comunicação que a inspire a melhorar um pouco mais de vida, mas não a deixar de ser quem ela é. E quando as empresas vendem um aspiracional que está longe de ser desejado e possível para essa mulher, ou ela se frustra ou simplesmente conclui que esse produto não é para ela e cria uma barreira em relação a ele.
Portanto, não se trata de ser politicamente correto ou incorreto, mas de ter uma comunicação que funcione ou não. E essa nova mulher brasileira não se vê em nenhum tipo de comunicação que não a represente. Da mesma forma que os brasileiros hoje vão às ruas afirmar que os políticos não os representam, essa propaganda também não representa as mulheres brasileiras.
Por que os anunciantes incorrem nessa postura se eles também fazem pesquisas sobre o perfil dos consumidores antes de contratar campanhas publicitárias?
Infelizmente, temos visto que algumas agências de propaganda adotam um processo de planejamento para justificar a criação, e não o contrário. Assim, alguém tem uma ideia baseada no aspiracional do passado e depois o planejamento tenta justificar isso, mas sempre com a lógica do aspiracional antigo. E não percebem que essa lógica não funciona mais.
O boca a boca influencia 7 em cada 10 mulheres na hora das compras e isso tem que ser levado em conta, porque se a mulher não se vê, ela vai falar mal daquela marca ou produto, ou não vai fazer a propaganda boca a boca.
Então, para conquistar essa nova mulher, a função da propaganda é, em primeiro lugar, criar identidade; em segundo lugar, inspirar essa mulher a melhorar de vida, se sentir mais bonita e feliz; e, em terceiro lugar, gerar propaganda boca a boca. E se você não começa do início, que é a criação da identidade, não consegue criar os outros dois pilares do retorno de investimento. Isso acontece porque parte das equipes de criação das agências publicitárias, que vêm das elites, não entende essa nova consumidora.
A maioria dos entrevistados afirma que gostariam de ver mais mulheres negras e de classe popular nas propagandas na TV. Por outro lado, 67% avaliam que a mulher é mostrada como ativa e 43% como inteligente. Isso mostra também uma mudança na propaganda brasileira?
A pesquisa permite que a gente diferencie as questões da forma e do conteúdo nas propagandas. Essa busca por apresentar uma mulher mais inteligente e que se aceite, do ponto de vista do conteúdo, começa a existir e já é percebida. Por outro, a questão da forma, o padrão estético, não avançou na mesma velocidade que a questão do conteúdo. Então, você vê atrizes falando que são mulheres independentes, que valorizam a conquista e o mérito próprio, que estão subindo na vida e que se veem como mulheres inteligentes. Mas a estética valorizada ainda é a do passado.
E o que temos visto é que isso acontece porque a elite que aprova os anúncios diz: “ah, mas isso está muito feio”, ou: “precisa ser uma coisa mais bonita”. E na visão dessa elite que aprova o anúncio a beleza ainda segue o padrão europeu, porque ela própria é branca, tem olhos claros e ainda dialoga com esses padrões que sempre foram privilegiados no mercado consumidor. Então, publicitários e anunciantes entendem os valores universais e novos, da inteligência, da independência, da opinião dessa nova mulher, mas na hora de aprovar o anúncio não conseguem seguir isso.
Isso explica também a invisibilidade das mulheres negras na propaganda?
Se existe uma dissonância cognitiva entre forma e conteúdo na publicidade, pode-se dizer que houve um avanço no conteúdo e persiste uma carência gigantesca na forma. Só que isso não justifica a questão racial.
Os negros são 52% da população e movimentam R$ 720 bilhões em consumo por ano. E o aspiracional do negro não é ser branco.
Então, é uma miopia do ponto de vista de oportunidades de negócios que a consumidora negra seja apresentada como a empregada doméstica e não como a mulher que decide e está no mercado de trabalho exercendo múltiplas funções. E não se trata apenas de uma necessidade de identidade, mas de um direito da consumidora que, graças à ida para o mercado formal de trabalho, quer se enxergar na comunicação.
A falta de entendimento dessa mudança gera essa miopia no mercado publicitário, que leva a dar menos valor à marca e faz com que o anunciante não otimize o seu investimento publicitário. Isso prejudica a construção da marca e faz com que as empresas tenham prejuízo graças a uma comunicação malfeita.
Na grande maioria das vezes, as pessoas que criam e aprovam os anúncios vêm das classes A e B. E elas tendem a fazer coisas que as agradem, e não que agrade o consumidor final. A mesma coisa acontece nas escolas, onde boa parte dos professores traz um conhecimento acadêmico que levou anos para ser construído e tem a ver com o Brasil do passado. E esse conhecimento acaba sendo reproduzido. Isso está mudando porque hoje a classe C está entrando maciçamente no ensino superior e trazendo consigo a sua história. E se tem uma coisa que aprendemos em 12 anos do Data Popular é que é muito mais fácil pegar alguém que veio de uma camada social mais baixa e fazer com que ela entenda de marketing do que fazer com que a classe A entenda de povo.
Mas nem tudo é negativo. Já existem empresas que sabem usar as informações atuais. A Dove, por exemplo, avançou ao falar de beleza de outro jeito. A Danone avança ao usar a Dira Paes como garota propaganda, assim como a C&A, com a Preta Gil ou a Gabi Amarantos, dialoga com esse novo Brasil.
É preciso entender de povo e que nesse povo estão os negros e as negras.
Sim, porque não tem como falar nas classes C e D sem falar dos negros. De cada 10 pessoas que saíram da classe D e foram para a classe C, 8 são negros. Foram os negros os grandes responsáveis pela ascensão econômica do Brasil. Embora por mais que a desigualdade no Brasil tenha diminuído ela ainda seja gigantesca: 3/4 das classes A e B são brancos e 3/4 das classes D e E são negros. Então, quando falamos das classes C e D, estamos falando necessariamente do consumidor e da consumidora negros. E os anunciantes não estão enxergando isso, que é a intenção de consumo. Com R$ 720 bi dá para comprar milhares de notebooks e laptops. E os anunciantes não vão olhar para isso?
A pesquisa aponta também uma percepção de frustração das mulheres quando não conseguem ter seu corpo e/ou sua beleza mostradas nas propagandas na TV. Como você analisa esse dado?
Ao não se enxergar na grande mídia, ela se sente uma mulher “invisível”. Por isso as personagens de novela que fazem mais sucesso são as que têm mais curvas, as mais “desbocadas”, que dialogam mais, não só na forma mas também no conteúdo, com essa nova mulher brasileira. Por isso novelas como “Avenida Brasil” fazem tanto sucesso, assim como atrizes como a Dira Paes, porque fisicamente ela se parece mais com a nova mulher e as personagens que ela tem feito se parecem mais com essa mulher batalhadora. Entender essa junção de forma e conteúdo é muito importante.
Por último, gostaria que você, pensando no mundo dos publicitários e anunciantes, apontasse quais são os dados da pesquisa que merecem mais destaque, que o pessoal de criação precisa entender.
Em primeiro lugar, que a mulher decide. E essa mulher decide através da identificação com a propaganda, e faz propaganda boca a boca daquilo que ela acredita. Como se vê na pesquisa, avançamos muito do ponto de vista do conteúdo, mas é preciso avançar muito do ponto de vista da forma para conquistar esse mercado de R$ 1,1 trilhão. Para as agências fazerem isso, têm que, além de ouvir mais essa nova mulher brasileira, ter nas suas equipes pessoas que são oriundas desse novo Brasil. Enquanto a comunicação for feita por uma elite, aprovada por uma elite, para vender para o restante, acho que temos poucas chances de avançar.
O Data Popular teve a oportunidade – e o Instituto Patrícia Galvão faz isso como missão – de estudar o quanto ainda existe de preconceito e desigualdade (de renda, de gênero e racial) no nosso país. Parece-nos meio óbvio falar da importância de ser plural nesse universo da propaganda. Mas o mérito da pesquisa não é falar o óbvio, é mostrar como as empresas perdem dinheiro ao não entender o óbvio, que não tem a ver com o politicamente correto ou o que sai nos relatórios de responsabilidade social. O óbvio tem a ver com o mercado. Se as empresas não olharem para esse mercado que mudou no Brasil, que é o mercado da mulher, elas estarão longe de conseguir efetivamente fazer uma grande transformação na sua comunicação e explorar o potencial econômico que isso tem.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Rock in Rio- ações de ativação

Quem ama ação promocional põe o dedo aqui...
Nada melhor que um evento pra trabalhar a ativação de um produto, um serviço ou até uma marca. E se for um evento do porte do Rock in Rio então...criativos soltam a imaginação e produtores se lascam, mas a mágica precisa acontecer, e tem que ser grandiosa.


A Volkswagen vai fazer chover luz no evento. Uma tempestade de 3 mil leds será lançada nos intervalos dos principais shows do palco Mundo todos os dias do Rock in Rio 2013. Os flying hélicos serão lançados das torres de som, iluminando o céu e trazendo 1 código da promoção "Seu Fox pode cair do Céu". Todos os leds recolhidos deverão ser registrados no site da promoção nos totens dos espaços Volks e o vencedor leva um Fox zero pra casa.


O Itaú traz ainda mais interação. Em seu estande, uma simulação trará um palco igual ao original, onde até 3 amigos poderão formar uma banda, e o negócio é profissa mesmo. A banda se cadastra por biometria e é encaminhada num corredor no melhor estilo backstage até o palco, onde um painel digital vai exibir a imagem de milhares de fãs com cartazes com o nome da banda, fotos e informações personalizadas- tudo retirado do Facebook das "celebridades", que poderão interagir com o público através de um sensor de movimentos kinect. Pra fazer ainda mais barulho a experiência vira um vídeo de 20 segundos para ser postado e compartilhado nas redes sociais.

O Itaú também construiu um elevador panorâmico que subirá até o ponto mais alto do Rock in Rio, onde uma foto é clicada e pode ser compartilhada no Facebook e Instagram. Do lado de fora um painel com todas as fotos postadas no Insta com a hashtag #IatuRockinRio vai mostrar a ação e 245 mil pulseiras de led serão distribuídas para deixar o evento na cor do banco.
E eu não podia deixar de falar da ação da Coca-Cola Zero no evento, o Coca-Cola Zero Música. É só baixar o app, que roda em Android e iOS, e se concetar pelo Facebook, apontar o código da latinha ou da garrafa de 600 ml para o seu dispositivo e clicar em "scanear lata". Cada latinha traz um dos 7 gêneros musicais: rock, pop, mpb, hip hop, eletrônico, clássico e metal. uando você scaneia uma lata, 5 músicas ficam no seu aparelho, e a partir daí, é só escolher as faixas que mais gosta e criar uma playlist. Obviamente você pode compartilhar suas playlists no Face. Aí é só alegria!4
Pra quem vai pro Rock in Rio, aproveite.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Será que já fomos longe demais?

Li esse texto em uma reportagem da Folha Online e reproduzo aqui, na íntegra, com a intenção de despertar em você a mesma inquietação que tem me assombrado nas últimas semanas. E se fomos mesmo longe demais, onde os próximos caminhos vão nos levar? Eu só espero que existam caminhos e que eles possam nos guiar para outros destinos.

No último final de semana, eu estava assistindo à TV com alguns amigos, explorando os mais populares no YouTube recentemente, quando um vídeo chamado "I Forgot My Phone" ("esqueci meu celular") chamou a minha atenção.
No momento em que fui apertar play, contudo, meu amigo avisou: "Não veja isso. Vi ontem e é realmente triste."
O vídeo de dois minutos (abaixo), que já foi visualizado mais de 15 milhões de vezes, começa com um casal na cama. A mulher, representada pela comediante e atriz Charlene deGuzman, olha fixamente para o nada silenciosamente enquanto seu namorado checa seu smartphone.


As cenas subsequentes retratam um dia de deGuzman que é desolador: as pessoas a ignoram enquanto fitam o smartphone durante o almoço, um show, enquanto jogam boliche e durante uma festa de aniversário. (Até o menino aniversariante está gravando a festa em seu telefone). O clipe termina com deGuzman de volta à cama com seu namorado no final do dia --e ele ainda está usando seu telefone.
Assistir ao vídeo de deGuzman é desconfortável. É um golpe direto na nossa cultura obcecada com smartphones, cutucando-nos sobre nosso vício naquela pequena tela e sugerindo que talvez a vida possa ser mais bem direcionada quando é vivida --em vez de visualizada.
Apesar de ter algumas cenas engraçadas --um homem fazendo um pedido de casamento na praia enquanto tenta gravar o momento especial em seu telefone--, ele é majoritariamente triste.
"A ideia me ocorreu quando comecei a refletir sobre quão ridículos estamos todos sendo, eu incluída, quando estava em um show e as pessoas a meu redor estavam filmando a apresentação com seus telefones, e não, de fato, assistindo", disse deGuzman em entrevista.
"Deixa-me triste o fato de que há momentos em nossas vidas durante os quais não estamos presentes porque estamos olhando para um telefone", disse deGuzman, também responsável pelo roteiro da peça, dirigida por Miles Crawford. Ela reflete que, deseje-se ou não, experimentar a vida por meio de uma tela de quatro polegadas pode ser a nova norma.
Ou não. O vídeo de deGuzman pode ter aterrissado em um daqueles momentos culturais em que as pessoas começam a questionar se algo já foi longe demais e começam a fazer algo em relação a isso.
Na semana passada, o festival de música polonês Unsound proibiu os espectadores de gravar os evento, dizendo que não desejava "documentação instantânea" e distrações que pudessem prejudicar as apresentações.
Em abril, durante um show em Nova York, Karen O, vocalista líder do grupo Yeah Yeah Yeahs, disse à plateia para guardar seus smartphones (usando um palavrão para enfatizar a mensagem).
Um bom número de restaurantes nova-iorquinos, incluindo Momofuku Ko e Chef's Table, proibiu clientes de fotografar seus pratos. (Nota aos 'foodies': sua quinoa não precisa ser postada artisticamente e com um visual retrô no Instagram.) E, é claro, muitas mães e pais que lutaram para manter a TV longe da cozinha pode ver os smartphones como a nova ameaça à civilidade à hora do jantar.
No final dos anos 50, os televisores começaram a deixar a sala de estar rumo à cozinha, frequentemente levada até a sala de jantar para se unir à família para a ceia. E, então, a TV na mesa de jantar repentinamente se tornou falta de modos. A TV voltou à sala de estar.

Michael Nagle - 21.set.12/The New York Times
Grupo de amigos comemora um aniversário em um bar de Nova York; para alguns, smartphones podem ter "ido longe demais"
Grupo de amigos comemora um aniversário em um bar de Nova York; para alguns, smartphones podem ter "ido longe demais"

"Nunca foi algo que realmente deu certo nas casas americanas", disse Lyn Spigel, professora na Northwestern University, em Illinois, e autora do livro "Make Room for TV" ("Dê Espaço à TV", sem edição no Brasil).
"Em determinado momento, uma empresa até tentou inventar uma geringonça chamada forno-TV, que unia os dois aparelhos", disse.
Estariam, portanto, os smartphones tendo seu momento "TV na cozinha"?
"Toda experiência está sendo mediada e concebida sobre como pode ser capturada e aumentada por nossos dispositivos", disse Mathias Crawford, um pesquisador sobre comunicações e interações entre humanos e computadores na Universidade Stanford. "Nada se tornou tão mais evidente que nossas refeições, cujos momentos que antecedem, o antes e o depois são esculpidos por determinados aplicativos."
Reservas são feitas no OpenTable; a chegada ao restaurante é registrada no Foursquare; a comida é fotografada para o compartilhamento no Instagram; uma piada ouvida durante o jantar é tuitada; a análise sobre o restaurante é subida ao Yelp; então, finalmente, a volta para casa é coordenada usando o Uber.
"Se você pondera sobre quando as pessoas vão deixar o telefone de lado, isso significaria rejeitar todo o conceito do Vale do Silício de como você deveria estar jantando", disse Crawford. Mas, disse, é possível. "Sim, a sociedade está mudando, mas o iPhone tem apenas seis anos de idade, e essas mudanças ainda não estão determinadas."
Dada a impressionante resposta ao vídeo de deGuzman, deduz-se que as pessoas estejam pelo menos pensando sobre tais mudanças.
"Somente neste ano que tive esses pensamentos sobre viver o momento sem meu telefone", disse deGuzman. "Ainda carrego o celular comigo, mas tento mantê-lo na bolsa. Agora, me vejo apenas abraçando um momento, sem ter de postar uma foto sobre isso."

Uma real campanha pela vida, pelo agora, pelo momento, pela amizade, pelo amor.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Publicidade na ponte dos suicidas

A Coreia do Sul é o país que apresenta maior taxa de suicídio da OCDE e o local preferido das pessoas que querem se matar é a ponte Mapo, em Seul. De lá, 108 suicidas se jogaram nos últimos cinco anos.
Trecho de vídeo que registra ação publicitária da Samsung na Coreia do Sul
Esse dado estatística é extremamente chocante e profundamente triste. Dá vontade de se mobilizar a favor da vida, não dá? Foi exatamente o que a Samsung fez. Ela transformou em "Ponte da vida" o local mais mortal do território sul-coreano.
A solução criativa e ao mesmo de muita visibilidade foi apostar em algo muito mais simples que muros ou o fechamento definitivo da ponte, que eram as ideias do governo. A Samsung Seguros instalou luzes com sensores que acendiam conforme os passantes caminhavam pela ponte e mostravam frases inspiradoras e motivadoras, como "Vá ver as pessoas de quem você sente saudades", "Os melhores momentos da sua vida ainda estão por vir" e "Como você gostaria de ser lembrado?". As mensagens foram criadas em parceria com psicólogos e ativistas de prevenção ao suicídio.

A agência que assina o trabalho é a Cheil Worldwide, que levou o Leão de Titânio em Cannes este ano. A campanha que teve início em dezembro de 2012 já teve eficácia garantida: a taxa de suicídios desde então já caiu 85%.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dumb ways to die IN RIO!

Post divertido da semana.

Em dezembro do ano passada, a McCann lançou o vídeo Dumb Ways To Die, uma campanha para promover a segurança na rede australiana de transporte público que foi premiada com nada menos que 5 GPs em Cannes e já bateu mais de 52 milhões de visualizações no youtube. 

O que? Você não viu esse vídeo? Tava em coma? Retiro Espiritual? Sem internet?

Assiste agora, já, now! 



Só assim você vai entender a genialidade da versão brasileira, que traz formas idiotas de morrer no Rio, que é a bola da vez, o assunto do momento, a cereja do bolo da Copa no Brasil.

A ideia é uma parceria entre os publicitários Marcos Siqueira, Daniel Thomer, Renan Riveiro e Thiago Moraes com a produtora Silence, e o resultado divertidíssimo você confere agora.